Artista subverte fronteiras por meio de imagens da lua capturadas pela NASA
A Danielian Galeria, em sua unidade do Rio de Janeiro, inaugura na próxima terça-feira, 31 de março, a exposição “Como vender a Lua”, individual de Anna Bella Geiger. Com curadoria de Marcus de Lontra Costa e Rafael Fortes Peixoto, a mostra reúne um conjunto de obras em que fotografias da Lua realizadas pela NASA são retrabalhadas pela artista, transformando o território lunar em gravuras que articulam questões de política, censura e pertencimento.
O projeto destaca um dos eixos mais consistentes da trajetória de Anna Bella Geiger: a criação de novos territórios. A partir da “Série Lunar”, iniciada em 1970, a artista utiliza imagens da cartografia do espaço para lançar um olhar crítico sobre a realidade terrestre. Em meio à corrida espacial, Geiger encontrou nas crateras e relevos da Lua uma metáfora para refletir sobre o Brasil sob a ditadura cívico-militar iniciada em 1964, além de abordar sua própria identidade como filha de imigrantes poloneses.
“Como vender a Lua” revela esse gesto de deslocamento simbólico: ao reconfigurar fotografias científicas do satélite natural da Terra, a artista cria um território imaginado que dialoga com temas como geopolítica, memória e identidade.
Para os curadores Marcus de Lontra Costa e Rafael Fortes Peixoto, a força da exposição reside na reunião dessas peças: “Com sutileza, e sem questionar a afirmação de 1969 de que o homem deu um pequeno passo no espaço, mas um grande passo para a humanidade, Geiger rompe as barreiras da censura e se expressa através de imagens, transmitindo seus pensamentos e sentimentos sobre sua vivência como filha de emigrantes poloneses, fugitivos de guerra”, afirmam.
Com mais de sete décadas de carreira, Anna Bella Geiger desenvolveu uma produção marcada pela experimentação de linguagens. A artista trabalha em diversos suportes, como pintura, desenho, gravura, vídeo, fotografia, colagem, têxteis e instalações. Sua obra se caracteriza por um pensamento crítico que tensiona fronteiras geográficas e simbólicas, questionando definições geopolíticas hegemônicas.
Seus trabalhos integram acervos de importantes instituições internacionais, como MoMA (Nova York), Centre Pompidou (Paris), Tate Modern (Londres), MACBA (Barcelona), Museo Reina Sofía (Madri), Victoria & Albert Museum (Londres), além de coleções brasileiras como Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) e Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP)
SERVIÇO
Abertura: 31 de março– 18h
Período em exposição: 31 de março a 30 de abril
Segunda a sexta de 11h – 19h Sábado das 11h – 17h
Local: Danielian RJ – Rua Major Rubens Vaz, 414 - Gávea
Créditos: Victor Benevides


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