Reforma tributária pressiona margens e impõe revisão imediata de regime e estrutura societária

 Avanço da transição para IBS e CBS leva empresas a recalcular contratos, preços e modelo jurídico para evitar perda de competitividade

A fase de transição da reforma tributária sobre o consumo entra em etapa decisiva a partir de 2026, com início da implementação do IBS e da CBS, tributos que substituirão gradualmente PIS, Cofins, ICMS e ISS até 2033, conforme prevê a Emenda Constitucional 132. A mudança altera a lógica de creditamento, impacta o fluxo de caixa e exige revisão imediata de regime tributário, contratos e estrutura societária. Para especialistas, o reflexo mais direto estará na margem operacional das empresas.

Fabinho Nascimento, contador, especialista em planejamento tributário, reestruturação societária e CEO do Grupo FN, hub estratégico que integra contabilidade, jurídico e planejamento financeiro, afirma que a discussão deixou de ser apenas técnica. “A reforma já tem cronograma definido. A empresa que não revisar seu enquadramento tributário e sua formação de preço pode ter erosão de margem sem perceber”, diz.

Dados da Receita Federal indicam que o Brasil possui mais de 20 milhões de CNPJs ativos, distribuídos entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real. Cada regime reage de forma distinta à nova sistemática de não cumulatividade ampla prevista no IVA dual. Companhias com cadeia longa de fornecedores ou contratos de longo prazo podem sentir impacto maior no caixa durante o período de adaptação.

O executivo explica que a revisão societária também se torna estratégica. “Estruturas criadas para eficiência fiscal no modelo anterior podem perder sentido econômico. Holding patrimonial, divisão de CNPJs e contratos de prestação de serviço precisam ser reavaliados com base nas novas regras”, afirma. 

Outro ponto sensível está na precificação. “O empresário precisa recalcular custo efetivo e crédito aproveitável. Se mantiver o preço sem revisar a carga tributária real, pode comprometer rentabilidade”, alerta.

O especialista aponta cinco frentes para proteger a margem e evitar perdas na transição da reforma tributária

A adaptação exige método e integração entre áreas. Entre as principais recomendações estão:

 

  • Revisar o regime tributário com simulações projetadas para o novo modelo, avaliando carga efetiva e impacto financeiro ao longo da transição.

 

  • Reavaliar contratos vigentes, inserindo cláusulas de reequilíbrio tributário quando necessário.
  • Recalcular precificação com base na nova lógica de crédito e tributação no destino.
  • Analisar a estrutura societária, incluindo holdings e segmentação de atividades, para verificar eficiência no novo sistema.
  • Integrar planejamento contábil, jurídico e financeiro em um único diagnóstico estratégico.

 

 

“A empresa que trata cada área isoladamente aumenta o risco de erro. A reforma é tributária, mas o impacto é societário e financeiro ao mesmo tempo”, destaca.

Para contratar assessoria especializada, o CEO recomenda buscar equipes multidisciplinares com experiência prática em reorganização societária e simulação fiscal. “Não basta conhecer a lei. É preciso traduzir a norma em números e estratégia. O empresário deve exigir projeções concretas antes de qualquer mudança estrutural”, diz.

Apesar da complexidade, há oportunidades. A simplificação prometida pelo novo modelo tende a reduzir litígios e aumentar previsibilidade para quem estruturar processos desde já. Empresas que anteciparem ajustes podem ganhar eficiência e transparência na gestão tributária. “A reforma não é um evento futuro. Ela já está em curso. Quem agir agora transforma obrigação legal em vantagem competitiva”, conclui.

Com o calendário de implementação definido e a regulamentação avançando, a revisão da estrutura societária e tributária deixa de ser opção e passa a integrar a agenda estratégica das companhias que buscam preservar margem e competitividade nos próximos anos.

 


Sobre Fábio Nascimento

Fábio Nascimento, 44 anos, é contador e CEO do Grupo FN. Com formação em Ciências Contábeis, pós-graduação em Planejamento e Controle Empresarial e especializações pela MBM Master Business School e MBM Advanced, atua há mais de duas décadas no desenvolvimento e na estruturação de empresas.

À frente do Grupo FN, liderou a transição de uma contabilidade tradicional para um hub de soluções empresariais com atuação no Brasil e nos Estados Unidos. É idealizador e mentor do Impacto Club, associado ao MLS e Energy Club, sócio do FIRE Club, ligado à MLS de Joel Jota, Caio Carneiro e Flávio Augusto, além de sócio equity do ABS.

Também é colunista do programa Manhã na Band e da Revista LIFE, e integra o Grupo do Master de Contabilidade, formado pelos 150 maiores contadores do Brasil.

O empresário mantém atuação voltada ao desenvolvimento empresarial e à formação de empresários por meio de ambientes estratégicos de networking e capacitação.

Para saber mais, acesse o linkedin ou pelo instagram.

Sobre o grupo FN

Fundado em 1993, o Grupo FN é um hub de soluções empresariais com atuação no Brasil e nos Estados Unidos. Com mais de 1.500 clientes ativos e cerca de 100 colaboradores, reúne serviços integrados nas áreas de contabilidade consultiva, BPO financeiro, tributário, legalização, soluções de RH, certificado digital, treinamentos empresariais e estruturação internacional por meio da FN EUA.

A empresa surgiu como Contabilidade FN, fundada pelo pai de Fábio Nascimento, e evoluiu para um ecossistema empresarial que integra tradição familiar e inovação estratégica. O grupo atua como parceiro consultivo, apoiando empresários na tomada de decisão, organização financeira, inteligência tributária e crescimento estruturado.

Com foco em análise de dados, atendimento próximo e visão de longo prazo, o Grupo FN se posiciona como um ambiente de suporte estratégico para empresas que buscam previsibilidade, eficiência e expansão sustentável.

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Créditos: Carolina Lara



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