Coletânea organizada por Luciene Carris reúne 11 autores e propõe uma reflexão crítica sobre os impactos da ditadura militar no Brasil
Em um momento de forte polarização política no Brasil, em que o passado volta a ser disputado no espaço público e parte da sociedade ainda relativiza ou até nega a existência da ditadura militar, o debate sobre memória, verdade e democracia se torna ainda mais urgente. É nesse contexto que a coletânea 1964: O que ainda nos resta dizer?, organizada pela historiadora Luciene Carris e publicada pela Editora Metanoia (Selo Estudos Americanos), ganha ainda mais relevância ao ser inscrita no Prêmio Jabuti Acadêmico 2026.
A obra reúne 11 autores e apresenta, em oito capítulos, novas abordagens sobre um dos acontecimentos mais impactantes da história do Brasil: o golpe de 1964 e a estruturação da ditadura militar. Mais do que revisitar os marcos mais conhecidos da repressão política, o livro amplia o olhar para temas como remoções forçadas de moradores de favelas da Zona Sul do Rio de Janeiro, violência contra povos originários, resistência feminina por meio da música, repressão aos trabalhadores rurais, patrimônio histórico, liberdade de expressão, artes plásticas e a luta pelo direito à moradia.
Ao longo da coletânea, o leitor encontra reflexões sobre a demolição da antiga Faculdade de Medicina no Rio de Janeiro, o curta-metragem sobre homossexualidade produzido em 1968, manifestações artísticas em Salvador e Belo Horizonte durante o período autoritário, além das lutas da Comunidade do Horto e de povos indígenas como os Kinja, Krenak e Guarani-Kaiowá. A publicação demonstra que a história da ditadura não se esgota nos marcos tradicionais, mas se fortalece quando observada por meio de novas experiências e diferentes escalas sociais.
Para Luciene Carris, a inscrição no Jabuti Acadêmico já representa uma conquista importante. “Para mim, a inscrição no Jabuti Acadêmico já é uma conquista valiosa. Caso o livro seja selecionado e premiado, o debate sobre a ditadura será levado para outros espaços, além do ambiente acadêmico. Além disso, reconhece a importância dos temas pesquisados pelos onze autores e autoras. Passamos por um momento na história recente do país marcado por disputas sobre essa memória. A coletânea analisa esse período com o intuito de compreender o passado e o presente, além de reforçar a importância da democracia na contemporaneidade”, destaca.
Ao completar 60 anos do golpe em 2024, 1964: O que ainda nos resta dizer? reforça que refletir sobre esse passado não é apenas um exercício acadêmico, mas também uma forma de enfrentar os resíduos autoritários ainda presentes no país. Mais do que responder de forma definitiva à pergunta que levanta, a coletânea reafirma que sempre haverá o que dizer sobre 1964 — e que essa reflexão continua sendo parte fundamental da luta por memória, justiça e democracia.
Participam da coletânea os autores Andréa Cristina de Barros Queiroz; Carlos Eduardo Pinto de Pinto e Rodolfo Rodrigues de Souza; Andréa Casa Nova Maia, Adrina Camargo Pereira e Rita Lages Rodrigues; Vicente Saul Moreira dos Santos; Silene Orlando Ribeiro; Luzimar Soares Bernardo; Mário Brum; Luciene Carris e Maria Nilda Bizzo.
Serviço
Título: 1964 – O que ainda nos resta dizer?
Organização: Luciene Carris
Editora: Editora Metanoia – Selo Estudos Americanos
Páginas: 264
Preço: R$ 60
Créditos: Marcela Vigo


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