Apagão operacional, falta de indicadores e recursos travados na rotina impedem que pequenas e médias empresas convertam crescimento em lucro
As pequenas e médias empresas brasileiras seguem sendo um dos principais motores da economia nacional, responsáveis por 80,5% dos empregos gerados em 2025, segundo o Sebrae. Ao mesmo tempo, enfrentam um desafio que raramente aparece nos balanços financeiros: o apagão operacional nas PMEs. A falta de controle sobre processos, indicadores e fluxo de caixa faz com que recursos fiquem travados dentro da operação, reduzindo a eficiência e limitando o crescimento dos negócios.
Para Thiago Oliveira, CEO da Saygo, holding especializada em comércio exterior, câmbio e tecnologia empresarial, o problema não está necessariamente na geração de receita, mas na dificuldade de transformar dados em decisões. "O apagão operacional nas PMEs acontece quando o empresário perde a capacidade de enxergar o que está acontecendo dentro da empresa. Muitas vezes ele procura crédito, busca novos clientes ou tenta aumentar as vendas sem perceber que existe dinheiro escondido na própria operação", afirma.
Crédito caro expõe falhas de gestão
Dados do Banco Central mostram que as taxas médias das operações de crédito para pessoas jurídicas permanecem em patamares elevados, aumentando o custo de financiamento e pressionando o caixa das empresas.
Ao mesmo tempo, levantamento da Serasa Experian aponta que o Brasil iniciou 2026 com 8,7 milhões de empresas inadimplentes, sendo a ampla maioria composta por micro e pequenas empresas. O número reflete um ambiente de maior seletividade financeira e amplia a necessidade de gestão eficiente dos recursos disponíveis.
Segundo o CEO, períodos de crédito abundante costumam mascarar ineficiências operacionais que se tornam evidentes quando o dinheiro fica mais caro. "Quando o acesso ao crédito diminui, as empresas começam a perceber desperdícios que sempre estiveram ali. Estoques excessivos, cobranças atrasadas, processos manuais, retrabalho e falta de acompanhamento financeiro passam a impactar diretamente a sobrevivência do negócio", explica.
Recursos escondidos dentro da operação
De acordo com o especialista, um dos erros mais comuns entre pequenas e médias empresas é enxergar crescimento apenas como aumento de faturamento.
Na prática, recursos importantes podem estar presos em áreas pouco monitoradas, como estoque, compras, contratos, inadimplência de clientes e processos internos. "Muitas empresas possuem capital de giro imobilizado sem perceber. Elas deixam dinheiro parado em estoques desnecessários, não acompanham indicadores de produtividade e tomam decisões baseadas em percepção, não em dados. O resultado é perda de eficiência e redução de margem", afirma.
Sem indicadores claros, gestores acabam reagindo aos problemas apenas quando eles já afetam o caixa ou os resultados.
Dados deixam de ser diferencial e viram necessidade
O avanço das ferramentas digitais e da inteligência artificial tem ampliado o acesso das PMEs a tecnologias que antes eram exclusivas de grandes companhias. Ainda assim, o profissional afirma que o principal desafio continua sendo a cultura de gestão. "Hoje o empresário consegue acessar informações em tempo real sobre vendas, estoque, caixa e produtividade. O problema não é a falta de tecnologia. É a ausência de método para transformar essas informações em ações concretas."
Segundo ele, empresas que estruturam rotinas de acompanhamento e criam indicadores consistentes conseguem identificar desvios com antecedência, reduzir desperdícios e tomar decisões mais rápidas.
Eficiência operacional será vantagem competitiva
Para o executivo, a busca por eficiência deve se tornar uma das principais prioridades das pequenas e médias empresas nos próximos anos, especialmente diante de margens mais apertadas e maior pressão financeira. "O crescimento sustentável não acontece apenas pela venda. Ele depende da capacidade de controlar recursos, acompanhar indicadores e corrigir problemas rapidamente. Quem consegue transformar dados em inteligência operacional ganha produtividade, preserva caixa e cresce com mais segurança."
Na avaliação de Oliveira, o apagão operacional nas PMEs continuará sendo uma das principais causas da estagnação empresarial no país. "Os negócios que mais vão prosperar não serão necessariamente os que faturam mais. Serão aqueles que conseguem enxergar onde o dinheiro está sendo perdido e agir antes que o problema se transforme em crise", conclui.
Sobre Thiago Oliveira
Thiago iniciou sua trajetória empreendedora há mais de 20 anos. Com um Monza e dinheiro emprestado, fundou seu primeiro negócio em logística, que anos depois seria vendido por milhões de dólares. Tornou-se sócio da maior aceleradora de startups da América Latina, a ACE, e do maior Venture Capital da região, a Bossanova Investimentos.
Ao identificar os desafios enfrentados por importadores e exportadores no fechamento de câmbio, fundou a corretora de câmbio do grupo, inicialmente chamada Zebra e agora Saygo Câmbio, transformando o setor. Além de empreendedor, é mentor e conselheiro de diversas empresas e cofundador da Oliveira Foundation, ONG que já impactou mais de 100 mil crianças em países de língua portuguesa. Seu foco está em soluções cambiais, desenvolvimento tecnológico e estratégias para expansão internacional de empresas.
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Sobre a Saygo
A Saygo é uma holding brasileira especializada em comércio exterior, formada pela unificação da Proseftur Assessoria em Comércio Exterior e da Zebra Corretora de Câmbio. Com mais de 23 anos de experiência, a empresa oferece soluções integradas para importadores e exportadores, abrangendo assessoria em operações internacionais, serviços cambiais e desenvolvimento de tecnologias para otimização de processos globais. Seu compromisso é auxiliar empresas a ingressarem e expandirem suas atividades no mercado internacional, proporcionando estratégias inovadoras e suporte especializado.
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Créditos: Carolina Lara


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