Quem são os influenciadores imigrantes? Fenômeno transforma experiência de viver fora em referência nas redes

 “Quem pensa em morar fora quer entender como aquela vida foi construída”, afirma Dan Cunha, influenciador imigrante

Créditos Divulgação @dancunha1984  CO ASSESSORIA


Durante muito tempo, quem pensava em começar uma vida fora do Brasil buscava informações principalmente com parentes, amigos ou conhecidos que já haviam emigrado. As redes sociais mudaram esse fluxo. Hoje, trabalho, custo de vida, adaptação cultural, negócios e rotina no exterior são acompanhados diariamente por pessoas que muitas vezes nunca tiveram contato pessoal com quem está do outro lado da tela.

A mudança já chamou a atenção da academia. Em 2022, um estudo publicado na revista científica Media and Communication utilizou a expressão “immigrant influencers”, ou influenciadores imigrantes, para analisar criadores latino-americanos que viviam nos Estados Unidos e na Espanha. São perfis em que a experiência de morar fora deixa de ser apenas relato pessoal e passa a funcionar também como referência sobre trabalho, cultura, adaptação e construção de uma nova vida.

Para Dan Cunha, empresário brasileiro radicado nos Estados Unidos, influenciador imigrante e ex-participante do Immigrant Reality, reality realizado em maio deste ano, na Flórida, essa é justamente a força desse tipo de influência. “Muita gente não quer apenas ver alguém morando fora. Quer entender como aquela pessoa construiu a própria vida em outro país. A experiência ganha valor quando existe uma história por trás da imagem que está sendo mostrada.”

Nas redes, essa curiosidade já criou uma linguagem própria. Salários, aluguel, primeiro emprego, supermercado, diferenças culturais e rotina de trabalho passaram a dividir espaço com moda, viagens, fitness e finanças entre os assuntos consumidos diariamente. A escala ajuda a explicar o interesse: o Ministério das Relações Exteriores estima cerca de 4,9 milhões de brasileiros vivendo no exterior, formando uma audiência naturalmente interessada não apenas em como é morar fora, mas no que existe entre a decisão de partir e a construção de uma vida em outro país.

Cunha acredita que o crescimento desse tipo de influência também aumenta a responsabilidade de quem transforma a própria trajetória em referência. “Mostrar que alguém conseguiu é fácil. O que quase nunca aparece é quanto tempo levou, o que deu errado, os trabalhos que precisaram ser feitos e quantas vezes foi necessário mudar de caminho. Se a nossa história vai servir de referência para alguém, essa parte também precisa ser mostrada”, conclui.

Créditos Divulgação @dancunha1984  CO ASSESSORIA


Créditos: CO-Assessoria  



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