Com a prova se aproximando, educadora orienta estudantes a priorizar revisão estratégica, resolução de questões e redação, além de evitar erros comuns que podem comprometer o desempenho nesta fase
Faltando menos de dois meses para o ENEM, a sensação de que ainda existe conteúdo demais para estudar pode aumentar a ansiedade dos estudantes. E é por isso, que, segundo Kassula Correa, diretora geral da Start Anglo Bilingual School Recreio, a preparação precisa mudar de ritmo: em vez de tentar aprender tudo o que ficou para trás, o foco passa a ser entender o que já foi estudado, identificar dificuldades e ganhar segurança para a prova.
Para a educadora, a reta final não é o momento de transformar a rotina em uma maratona de conteúdos novos. O estudante precisa olhar para o próprio desempenho e tomar decisões mais estratégicas. “Neste momento, estudar mais não significa necessariamente estudar melhor. O aluno precisa entender onde ainda tem dificuldade, quais conteúdos aparecem com mais frequência nos seus erros e como está conseguindo administrar o tempo. A preparação passa a ser muito mais estratégica.”
O que merece prioridade agora?
A primeira orientação é revisar a partir dos próprios erros. Em vez de simplesmente reler todo o conteúdo, vale observar as questões que foram respondidas incorretamente em exercícios e simulados e tentar entender o motivo do erro. Foi falta de conhecimento? Dificuldade de interpretação? Desatenção? Falta de tempo? Confusão entre conceitos? Essa análise ajuda o estudante a perceber que dois erros aparentemente iguais podem exigir estratégias completamente diferentes.
“O erro é uma informação muito importante nessa fase. Se o aluno errou uma questão porque não sabia determinado conteúdo, ele precisa revisar aquele assunto. Se errou porque não interpretou corretamente o enunciado, precisa trabalhar leitura. Se errou porque estava cansado ou administrou mal o tempo, o problema é outro. Não adianta tratar todos os erros da mesma maneira.”
Questões de provas anteriores ajudam a entender o que a prova exige
Outro ponto que ganha importância nesta fase são as questões de edições anteriores do ENEM. Mais do que testar conhecimento, elas permitem que o estudante reconheça a forma como a prova apresenta os conteúdos e desenvolva familiaridade com seus enunciados.
Os simulados também têm um papel importante, especialmente quando realizados em condições próximas às do exame. O objetivo não é apenas descobrir quantas questões o estudante acertou, mas observar como ele se comporta diante de uma prova longa.
E, segundo Kassula, se observar e buscar respostas para esses questionamentos também fazem parte da preparação. “O estudante precisa treinar o conhecimento, mas também precisa treinar a própria estratégia de prova. O ENEM exige concentração durante muitas horas, leitura cuidadosa e tomada de decisão. Quanto mais familiarizado ele estiver com essa dinâmica, menos energia gastará tentando entender como fazer a prova e mais poderá se concentrar em resolver as questões.”
E a redação?
A redação merece atenção constante até a prova. Na reta final, porém, não basta escrever muitos textos sem analisar o que precisa ser aprimorado. Uma estratégia mais produtiva é alternar a produção de redações completas com momentos específicos de revisão. O estudante pode observar se está conseguindo desenvolver uma tese clara, organizar os argumentos, utilizar repertório de maneira pertinente e construir uma proposta de intervenção coerente.
Também vale revisar textos já produzidos. Muitas vezes, um erro que aparece em uma redação volta a se repetir em outra, e identificá-lo é uma oportunidade de evolução.
O que não fazer agora
Kassula explica que tão importante quanto definir prioridades é saber o que pode atrapalhar o desempenho:
Tentar recuperar todo o conteúdo de uma vez pode gerar uma rotina impossível de sustentar e aumentar a sensação de que nunca é suficiente.
Trocar completamente a rotina de sono para estudar mais também tende a ser uma armadilha. O descanso faz parte da preparação, principalmente quando o estudante precisa manter concentração e memória.
Fazer simulado atrás de simulado sem analisar os resultados transforma o exercício em contagem de acertos. O mais importante é entender o que cada resultado revela.
Abandonar conteúdos em que já apresenta bom desempenho também não é uma boa estratégia. A revisão precisa preservar conhecimentos já consolidados enquanto trabalha os pontos mais frágeis.
E, talvez principalmente, comparar o próprio desempenho o tempo todo com o de outros estudantes pode tirar o foco daquilo que realmente importa: a evolução individual.
“A reta final não precisa ser uma corrida contra o relógio. O estudante ainda tem tempo para evoluir, mas precisa usar esse tempo com inteligência. Mais importante do que tentar fazer tudo é saber o que, neste momento, pode realmente fazer diferença para ele”, afirma Kassula.
Cinco prioridades para as próximas semanas
1. Revisar a partir dos erros
Use exercícios e simulados para identificar os conteúdos e habilidades que ainda precisam de atenção.
2. Resolver provas anteriores
Mais do que conferir o gabarito, observe como você interpreta os enunciados e administra as questões.
3. Manter a redação em prática
Escreva, revise e procure identificar padrões de erros para trabalhar pontos específicos.
4. Simular a experiência da prova
Treine também tempo, concentração, alimentação e organização para uma prova longa.
5. Preservar a rotina
Sono, pausas e momentos de descanso não competem com o estudo. Eles ajudam a sustentar o desempenho nas semanas que antecedem o exame.
Para Kassula, a principal mudança de mentalidade agora é entender que não existe preparação perfeita. “O estudante não precisa chegar ao ENEM sabendo absolutamente tudo. Ele precisa chegar sabendo usar bem aquilo que aprendeu, reconhecendo suas estratégias, administrando o tempo e confiando no próprio processo. A preparação, neste momento, é muito mais sobre consistência do que sobre tentar fazer tudo de uma vez.”

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