Redes sociais disputam a atenção dos adolescentes com os livros, mas também criam novas formas de descobrir histórias, compartilhar leituras e se identificar com elas. Painel na Bienal passa pelo tema "A Vida Entre Likes e Sentimentos", com participação de Bruna Paiva - escritora independente que viralizou com vídeo sobre leitura no metrô.
Entre vídeos curtos, notificações e um feed que nunca termina, os livros parecem disputar uma batalha desigual pela atenção dos adolescentes. Mas existe um paradoxo nessa relação: as mesmas telas apontadas como responsáveis pela dispersão dos jovens também estão ajudando livros e autores a chegarem até eles. Afinal, as redes sociais estão afastando os adolescentes da leitura ou criando novas formas de descobrir histórias?
É nesse contexto que a escritora carioca Bruna Paiva participa do painel Entre Likes e Sentimentos, no dia 5 de setembro, durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. A conversa propõe uma reflexão sobre como as redes sociais influenciam a forma como os adolescentes se relacionam, expressam suas emoções e constroem suas identidades — e como esse universo digital também pode influenciar a maneira como eles descobrem histórias e se conectam com a literatura.
A discussão ganha força com a presença cada vez maior dos livros nas plataformas digitais. Indicações, resenhas, vídeos sobre personagens e comunidades de leitores transformaram a literatura em conteúdo compartilhável e fizeram com que muitos jovens conhecessem determinadas obras justamente enquanto navegavam pelo celular. Entre likes, comentários e compartilhamentos, o livro também passou a ocupar um espaço de identificação e troca, aproximando-se do universo de sentimentos e experiências vivido pelos adolescentes.
É nesse cenário que a escritora independente Bruna Paiva lança “Adolescente Demais”, seu quarto livro durante a Bienal de São Paulo. A escritora acompanha de perto a relação entre leitores, livros e redes sociais. Em uma série de vídeos semanais, ela percorre diferentes linhas do metrô para descobrir o que os passageiros estão lendo. O projeto já ultrapassou 8 milhões de visualizações desde que foi ao ar pela primeira vez, em maio deste ano. Ela mesma começou a escrever ainda na adolescência e escolheu dedicar suas obras a esse público.
A experiência mostrou que, mesmo em um ambiente dominado pelas telas, existe curiosidade em torno dos livros — e que a leitura continua despertando identificação e interesse.
Do feed para o livro
A maneira como os adolescentes encontram uma leitura mudou. Se antes a indicação vinha principalmente de pais, professores, amigos ou livrarias, hoje ela também pode aparecer no feed.
Um vídeo de poucos segundos pode apresentar um personagem, uma história ou um autor e despertar no jovem a vontade de conhecer a obra completa. As redes, nesse sentido, podem funcionar como uma espécie de ponte entre o conteúdo digital e a leitura.
O fenômeno também criou novas comunidades literárias. O adolescente não apenas lê: comenta, recomenda, grava vídeos, compartilha opiniões e acompanha outras pessoas falando sobre os livros que despertaram seu interesse. Nesse processo, a literatura deixa de ser apenas uma experiência individual e passa a fazer parte das conversas, das relações e das formas de expressão dessa geração.
Mas existe o outro lado. A lógica das redes é baseada em estímulos rápidos e sucessivos, enquanto a leitura exige concentração, continuidade e disposição para permanecer em uma mesma narrativa. Surge, então, um dos principais desafios para pais e educadores: como estimular o hábito da leitura em uma geração acostumada à velocidade das telas?
“A discussão não precisa ser colocada como uma escolha entre celular e livro. O desafio está em compreender os novos hábitos dos adolescentes e encontrar caminhos para que o interesse despertado no ambiente digital possa se transformar em uma experiência de leitura”, comenta a escritora.
Adolescência em transformação
O tema dialoga diretamente com Adolescente Demais, livro que aborda sentimentos, conflitos, descobertas e transformações características dessa fase da vida. Mais do que perguntar se os jovens estão lendo mais ou menos, a questão é entender como estão descobrindo os livros, o que procuram nas histórias e qual papel as redes sociais desempenham nesse processo.
A discussão também coloca em perspectiva a maneira como os adolescentes lidam com o próprio universo emocional. Se nas redes eles encontram espaços para compartilhar opiniões, buscar aprovação e construir uma imagem de si mesmos, na literatura podem encontrar personagens, situações e sentimentos que ajudam a reconhecer e compreender suas próprias experiências. É justamente nesse encontro entre o mundo digital e o mundo interior que a discussão proposta pelo painel Entre Likes e Sentimentos ganha força. O debate reunirá as escritoras Bruna Paiva, Natália Avila e Nicole Oliveira, com mediação da jornalista Clara Novais, em uma conversa sobre identidade, pertencimento, pressão social, validação nas redes e equilíbrio emocional na adolescência.
Pais, escolas, editoras e escritores estão diante de uma nova realidade: talvez não seja necessário afastar o adolescente das telas para aproximá-lo da literatura. Pode ser justamente por meio delas que uma nova geração de leitores esteja encontrando o caminho até os livros — e, nas histórias que encontra, novas formas de compreender a si mesma e os próprios sentimentos.
Serviço: Lançamento de Adolescente Demais, de Bruna Paiva
Onde: Bienal do Livro de São Paulo, no estande Seu Novo Crush Literário (H-85)
Endereço: Distrito Anhembi — Avenida Olavo Fontoura, 1.209, Santana, São Paulo (SP) Quando: De 4 a 13 de setembro de 2026
Sexta-feira (4/9): 9h às 22h
Sábado e domingo (5 e 6/9): 10h às 22h
Segunda a sexta (7 a 11/9): 9h às 22h
Sábado (12/9): 10h às 22h
Domingo (13/9): 10h às 21h
Painel Entre Likes e Sentimentos
Data: 5 de setembro de 2026, às 14h30
Onde: Espaço Educação — Bienal do Livro de São Paulo
Sessão de autógrafos: 17h
Local: estande Seu Novo Crush Literário(H-85)
Créditos: Keyla Assunção


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