Performance Mimosa, de Flávia Pinheiro, estreia no Sesc Avenida Paulista

 Performance Mimosa, de Flávia Pinheiro, estreia no Sesc Avenida Paulista e investiga relações entre corpo, natureza e poder

Foto: Thomas Lenden

Mimosa é um experimento em performance que emerge de um vínculo com a Mimosa pudica, planta conhecida também como malícia-de-mulher, maria-sem-vergonha, dormideira e maria-fecha-aporta. A planta fecha suas folhas ao toque como mecanismo de defesa, fingindo-se de morta. A partir da relação com a planta e com a história da botânica, a artista-performer Flavia Pinheiro propõe uma investigação sobre os processos de nomeação, classificação, extração e conquista colonial que produziram formas de conhecimento e hierarquias sobre o mundo vegetal. As apresentações acontecem de 1º a 12 de outubro no Sesc Avenida Paulista.
 

“O espetáculo é uma fabulação coreográfica, em parceria com a planta Mimosa pudica, que reflete sobre as histórias carregadas de violência que enquadram a natureza como um espaço feminino e domesticado”, explica Flávia que completa: “a performance desvenda como as ideias de ‘natureza’ se entrelaçam com ideologias de raça e gênero, abrindo uma reflexão complexa sobre feminilidade, vulnerabilidade e sobrevivência”.
 

Em diálogo com a Mimosa, a planta aparece como uma presença sensível, desobediente e não domesticada, que reage, resiste e inventa modos de existir. Deslocada de seu território e amplamente cultivada em estufas europeias, a Mimosa pudica, quando repetidamente tocada por visitantes, pode deixar de reagir, como se aprendesse uma economia da resposta, a violência do toque. Um gesto entre defesa e exaustão que reverbera nas constantes mudanças e adaptações do corpo da mulher em cena, em muitos papéis.
 

Ao se entrelaçar com a história da planta, suas violências e apagamentos, Mimosa reflete como as práticas de isolar, nomear e categorizar espécies também operam como relações de poder que se perpetuam nas coreografias. Ao deslocar as formas de captura que enquadram as espécies em categorias fixas, a performance busca criar outras possibilidades coreográficas com a planta, em tentativas de enraizar-nos novamente no solo: uma prática de reconexão e de reaprender com as plantas ensinamentos e lições que foram esquecidos ou desaprendidos.
 

“A performance pesquisa a latência não como inércia, mas como potência: um estado vibrátil em que o corpo decide, a cada instante, se abre, se fecha ou inventa outras formas de estar e de não ser capturado. A natureza, aqui, não ocupa o lugar de silêncio ou passividade, mas afirma-se como uma força sensível que reage, resiste e inventa modos de existir”, conclui a artista.
 

O trabalho foi desenvolvido durante o programa DAS Third e uma residência do Life Long Burning, em Zagreb, Croácia, com apoio do Amsterdam Fund for the Arts (AFK) e da Veem House for Performance. A performance foi apresentada em 2024 na Veem House for Performance, no FLAM Festival- Noite dos Museus e no Holland Festival, em Amsterdã. Em 2025, foi apresentada no Teatro Frascati, integrou o Murmur Festival, em Tilburg, nos Países Baixos, e foi apresentada no Inkonst, na Suécia.

 

Ficha técnica:

Criação e performance: Flavia Pinheiro | Figurinos: Flavia Pinheiro | Figurino planta Mimosa: Marc Andrade | Máscara: Ale Carvalho | Desenho de Som e Vídeo: Henrique Vaz | Dramaturgia: Tom Oliver Jacobson | Treinamento de movimento: Alejandra Zabala | Desenho de Luz: João Guilherme | Fotos: Thomas Lenden | Producão: Corpo Rastreado (Danusa Carvalho)

 

Nos dias 6 e 7 de outubro, a artista também conduz a oficina ‘Ternura como prática: ensaios para não colapsar’, que propõe uma investigação prática sobre a ternura como forma de regulação, resistência e composição, inspirada em seu trabalho Mimosa.

 

Serviço

dança | Mimosa
com Flávia Pinheiro
Data: 1 a 12 de outubro de 2026. Quinta a sábado, às 20h. Domingo (11/10) e segunda (12/10), às 18h. Audiodescrição dias 11 e 12/10.
Local: Arte II (13º andar)
Duração: 45 minutos
Classificação indicativa: Livre
Ingressos: R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia) e R$ 15 (credencial plena).

 

oficina | Ternura como prática: ensaios para não colapsar
com Flávia Pinheiro
Data: 6 e 7 de outubro de 2026. Terça e quarta, às 19h.
Local: Arte II (13º andar)
Duração: 150 minutos
Classificação indicativa: 16 anos
Ingressos: R$ 30 (inteira), R$ 15 (meia) e R$ 9 (credencial plena:). Inscrições online.

 

SESC AVENIDA PAULISTA
Avenida Paulista, 119, Bela Vista, São Paulo
Fone: (11) 3170-0800
Transporte Público: Estação Brigadeiro do Metrô – 350m
Horário de funcionamento da unidade:
Terça a sexta, das 10h às 21h30. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30.


Créditos: Fernanda Porta Nova  

Nenhum comentário