Especialista destaca importância de reconhecer alterações na rotina e reforça que cuidado com a saúde emocional deve fazer parte do cotidiano escolar
Uma criança que começa a se afastar dos colegas. Um adolescente que perde o interesse pelo que antes fazia parte de sua rotina. Mudanças assim podem passar despercebidas no dia a dia, mas merecem atenção quando se tornam frequentes ou persistentes. No Setembro Amarelo, o debate sobre saúde emocional ganha espaço e reforça um desafio para quem convive diariamente com crianças e adolescentes: perceber quando um comportamento deixa de ser pontual e passa a comunicar uma dificuldade.
“Não existe um comportamento isolado que nos permita concluir que um estudante está em sofrimento emocional. O mais importante é perceber mudanças significativas em relação àquilo que é habitual e observar sua frequência, intensidade e duração”, explica Jéssica Pontes, especialista em educação socioemocional do Conviver, programa do Poliedro Educação.
Por ocupar parte importante da rotina de crianças e adolescentes, o ambiente escolar pode favorecer essa percepção. Isso não significa, porém, atribuir aos educadores uma responsabilidade clínica. Para Jéssica, a atuação começa pela proximidade e pela escuta, sem julgamentos ou tentativas de diagnóstico.
Entre acolher e encaminhar
“O papel dos professores é observar, acolher, mediar e escutar. A escola pode acompanhar e construir estratégias educativas, mas não deve assumir o papel de profissionais da saúde”, afirma Pontes. Quando uma mudança persiste ou começa a comprometer a rotina e a aprendizagem, o cuidado deve envolver a família e, se necessário, atendimento especializado. Em situações de risco à integridade do estudante, os protocolos de proteção e a rede de apoio precisam ser acionados.
Mais do que responder ao sofrimento quando ele já se manifesta, a especialista defende um trabalho permanente de fortalecimento dos vínculos e de desenvolvimento socioemocional. Sentir-se reconhecido, ouvido e parte de uma comunidade pode ampliar a rede de apoio dos jovens e contribuir para que encontrem caminhos para expressar o que sentem e pedir ajuda.
“Educação socioemocional não é ensinar a ‘pensar positivo’ ou fazer com que uma criança deixe de sentir raiva, medo, frustração ou tristeza. É ajudá-la a compreender o que sente e ampliar seu repertório para lidar com essas experiências”, diz Jéssica.
Essa perspectiva orienta o Conviver, que integra o desenvolvimento socioemocional à prática pedagógica e mantém um trabalho contínuo com estudantes, educadores e famílias. Para Jéssica, é justamente essa continuidade que deve permanecer após o mês de setembro. “Promover o bem-estar emocional e social não é criar mais uma ação para colocar no calendário. É construir uma cultura na qual as pessoas aprendam a conviver, reconhecer suas emoções, cuidar das relações, lidar com conflitos e pedir ajuda quando necessário.”
Sobre o Conviver e Integrar
O Conviver e Integrar, feito pelo Poliedro Educação, é o primeiro programa socioemocional que pode ser integrado a um sistema de ensino. Alinhado à BNCC, ele conecta desenvolvimento acadêmico e socioemocional em uma proposta estruturada que fortalece competências essenciais como autorregulação, habilidades de relacionamento e tomada de decisão responsável. Inspirado nas referências do CASEL e adaptado à realidade brasileira, o Conviver apoia a construção de ambientes escolares mais acolhedores, substituindo iniciativas isoladas por uma jornada consistente e integrada de formação humana.
Créditos: Laís Souza


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