Obra de Viviane Leite, com ilustrações de Mauro Souza e patrocínio da Cristália, terá versões impressa, digital e em áudio, além de book trailer e oficinas para meninas da rede pública de Itapira/SP
Com prefácio da apresentadora Ana Maria Braga, “O importante é como você se vê – um diário para descobrir o seu valor” apresenta a história de Vivi, uma garota de 13 anos que registra em seu diário inseguranças, descobertas, sonhos e situações cotidianas da pré-adolescência. Escrito por Viviane Leite, com capa ilustrada por Mauro Souza, o livro é publicado pela Literare Books International e combina narrativa, escrita, desenho e atividades de reflexão.
A proposta é estabelecer uma conversa direta com meninas que passam por sentimentos semelhantes, mostrando que crescer não significa alcançar uma versão perfeita de si mesma, mas aprender a reconhecer e valorizar quem se é.
O livro apresenta uma proposta interativa e rompe com o formato tradicional de leitura linear. Ao longo das páginas, a leitora encontra espaços para escrever, desenhar, responder perguntas, registrar pensamentos e refletir sobre suas próprias experiências. Dessa forma, o diário de Vivi também se transforma no diário de quem está lendo.
“Desde pequena, os diários e a escrita à mão fazem parte da minha vida. Ao criar a Vivi, quis oferecer às leitoras uma personagem que também tivesse dúvidas, medos e contradições, mas que aprendesse, aos poucos, a se olhar com mais carinho. O livro não pretende dizer quem uma menina deve ser; ele quer abrir espaço para que ela descubra a própria maneira de existir”, afirma Viviane Leite.
A estrutura acompanha diferentes momentos da vida da personagem e aborda temas presentes no cotidiano de muitas pré-adolescentes, como amizades, família, escola, primeiros interesses amorosos, timidez, sonhos, corpo, comparação, autoestima, redes sociais, bullying, solidão, inveja, pressão por resultados e descoberta da própria identidade.
Em vez de apresentar respostas prontas, a narrativa utiliza humor, leveza e situações reconhecíveis para estimular a reflexão. Em determinado momento, por exemplo, Vivi percebe que existe uma diferença importante entre dizer “eu sou” e “eu estou aprendendo a ser”. A mudança de perspectiva representa uma das ideias centrais do livro: características e dificuldades não precisam funcionar como rótulos definitivos, mas podem fazer parte de um processo de desenvolvimento.
Literatura com impacto social
Além da proposta literária e interativa, “O importante é como você se vê” nasce associado a uma iniciativa de responsabilidade social. A publicação foi viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com captação de recursos junto a empresas que destinam recursos de incentivo fiscal a projetos culturais.
O projeto prevê oficinas para meninas de 9 a 14 anos da rede pública de Itapira/SP, com atividades inspiradas no livro. Como desdobramento da iniciativa, a autora pretende levar a proposta a outras escolas, bibliotecas, centros culturais e instituições sociais.
A escolha do público acompanha justamente a fase retratada no livro: um período em que a percepção sobre aparência, pertencimento, amizades e aprovação externa começa a ganhar um peso significativo na construção da identidade.
Um diário que também fala sobre o mundo real
Embora tenha como público principal meninas que estão entrando na adolescência, o livro não trata essa fase de maneira idealizada. A trajetória de Vivi passa por situações divertidas, constrangedoras e dolorosas, incluindo questões relacionadas ao corpo, à primeira menstruação, à alimentação, à timidez, à crueldade entre colegas e à dificuldade de lidar com comparações.
A personagem também experimenta frustrações, perdas, conflitos familiares e momentos em que sente que não é suficientemente boa. Ao mesmo tempo, descobre habilidades, desenvolve projetos, empreende, cria vínculos e aprende a reconhecer suas próprias qualidades.
Essa combinação entre vulnerabilidade e humor é um dos recursos utilizados por Viviane Leite para aproximar a personagem da leitora. Vivi não é apresentada como uma garota que já encontrou todas as respostas, mas como alguém que está descobrindo, aos poucos, como olhar para si mesma com mais gentileza.
O prefácio de Ana Maria Braga reforça justamente essa perspectiva ao destacar a pré-adolescência como um período de construção da identidade, atravessado por inseguranças, sonhos e novas pressões. A apresentadora observa ainda os desafios impostos por um ambiente em que meninas estão constantemente expostas a imagens, opiniões e padrões de comportamento.
Da escrita no papel ao autoconhecimento
A relação com a escrita é outro elemento central da obra. O diário aparece como um espaço seguro para organizar pensamentos, registrar sentimentos e experimentar diferentes formas de expressão.
No final do livro, a própria Vivi convida a leitora a continuar escrevendo sem regras e sem a preocupação de produzir um texto perfeito. A ideia é transformar o ato de escrever em uma oportunidade de olhar para dentro e reconhecer aspectos de si que muitas vezes ficam escondidos atrás das expectativas dos outros.
Essa proposta também dialoga com a trajetória da autora. Desde pequena, a autora Viviane Leite mantém uma relação próxima com diários, cadernos, papéis e escrita à mão. Apaixonada por livros, papelaria e artes em papel, ela utiliza essa experiência para construir uma obra em que o objeto livro deixa de ser apenas algo para ser lido e passa a funcionar como espaço de participação da própria leitora.
No decorrer das páginas, Vivi compartilha suas experiências enquanto a leitora é estimulada a registrar a própria história. Assim, o livro parte da trajetória de uma garota para propor uma reflexão mais ampla sobre identidade, autoestima e o direito de cada menina construir sua própria definição de valor.
O livro propõe uma mudança de perspectiva: reconhecer que o valor pessoal não precisa ser determinado pela aparência, pela comparação ou pela aprovação de outras pessoas. Além da edição impressa, o livro contará com versões em e-book e audiobook, ampliando as possibilidades de acesso ao conteúdo por diferentes meios de leitura e escuta. O projeto também contará com um book trailer, produzido para apresentar o universo da personagem Vivi, os temas abordados no livro e sua proposta interativa.
No fim, a mensagem é simples e, ao mesmo tempo, essencial para uma fase em que tantas certezas ainda estão sendo construídas: antes de descobrir quem o mundo espera que ela seja, cada garota precisa ter espaço para descobrir quem é.
Créditos: Débora Luz



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