Masp apresenta primeira exposição de Rosa Elena Curruchich no Brasil

 Mostra reúne mais de 70 obras da artista guatemalteca que recorreu ao pequeno formato para desafiar barreiras impostas às mulheres em seu povo

Rosa Elena Curruchich, Van a escoger capitana del nuevo año [Vão escolher a capitã do novo ano], c. 1980. Acervo MASP

Foto: Eduardo Ortega
 

 

30 de outubro de 2026 a 4 de abril de 2027


 

O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta, de 30 de outubro de 2026 a 4 de abril de 2027, Rosa Elena Curruchich: Crônicas de Comalapa. Esta é a primeira exposição individual da artista do povo maia kaqchikel em um museu. A mostra reúne 78 pinturas produzidas entre as décadas de 1980 e 1990, nas quais Rosa Elena Curruchich registra cenas da vida cotidiana, cerimônias religiosas, festividades e os têxteis de sua comunidade em San Juan Comalapa, na Guatemala. Suas pinturas em miniatura convidam o público a dar um passo à frente para observar seu trabalho.

 

A origem do formato reduzido das pinturas de Curruchich remonta a uma questão prática e de gênero: na comunidade da artista, a pintura foi por muito tempo uma atividade restrita aos homens, e a venda dos trabalhos era em grande parte feita fora de sua cidade, em pontos turísticos. Assim, o pequeno formato foi a solução que encontrou para manter a discrição de sua prática e facilitar o transporte de suas obras. Curruchich as transportava embrulhadas em tecidos utilizados para carregar tortilhas quando saía para vender o alimento em outras cidades. A artista pintou durante um dos períodos mais duros da guerra civil guatemalteca (1960–1996), marcado, no início dos anos 1980, por um genocídio de Estado contra as populações indígenas da Guatemala que atingiu duramente Comalapa. Desafiar as convenções de gênero e chamar atenção pela qualidade de sua obra em um mercado competitivo do comércio de pinturas na região gerou ressentimento entre os pintores do município, cujas reações agressivas levaram Curruchich a deixar sua cidade natal, de modo que a artista produziu a maior parte de suas obras no exílio.


Curruchich é neta de Andrés Curruchich, considerado o fundador da tradição de pintura de cavalete entre os kaqchikel nos anos 1930. Considerada a primeira pintora mulher dessa tradição, destacou-se pelo modo como trabalhou o registro da vida cotidiana e das cerimônias de seu povo, com especial atenção aos têxteis e huipiles (vestuário feminino tradicional mesoamericano). Sua obra, que integrou a 60ª Bienal de Veneza em 2024, vem sendo revisitada nos últimos anos.

 

Com curadoria de Guilherme Giufrida e Yudi Rafael, curadores assistentes, MASP, a mostra é organizada em oito núcleos temáticos: Vidas rurais, Autorretratos, Cotidiano, Religiosidades, Têxteis, Festas, Procissões e Finais de ciclo.

“Cada obra de Rosa Elena Curruchich traz, na parte debaixo da tela, um pequeno texto de sua própria autoria, geralmente descritivo, que dá título à pintura e onde ela também assina. Há uma relação entre essa prática e os antigos livros maias, que registravam o calendário da lavoura, práticas tradicionais e histórias ancestrais: o texto é tão importante quanto a imagem”, afirma Guilherme Giufrida.

As pinturas da artista eram concebidas em telas maiores, nas quais reunia diversas cenas e festividades da comunidade, e depois eram recortadas pela própria artista e emolduradas individualmente com a ajuda de sua irmã, Pilar Curruchich. Suas molduras irregulares, feitas de madeiras encontradas na região, não apenas protegem as obras, mas também se tornam parte de sua composição.
 

Os trabalhos de Curruchich registram festividades organizadas pelas confrarias indígenas de Comalapa, expressão de um catolicismo marcado pelo sincretismo com práticas maias pré-colombianas, ao lado de cenas cotidianas como o comércio, o trabalho no campo e a vida familiar. Muitas obras dão destaque aos têxteis tradicionais, sobretudo os huipiles, cuja paleta de cores influenciou diretamente as cores escolhidas pela artista em suas telas.
 

“Entre cenas cotidianas e cerimoniais, as pinturas de Rosa Elena narram as práticas que estruturavam os ciclos da vida individual e coletiva da sua comunidade. Seu trabalho atravessou um período de crise política aguda na Guatemala, marcado pela violência sistemática contra os povos indígenas durante a Guerra Civil, reafirmando a vitalidade da tradição pictórica kaqchikel de Comalapa enquanto uma forma de transmissão e reelaboração da memória”, afirma Yudi Rafael.

Rosa Elena Curruchich: Crônicas de Comalapa integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A agenda do ano também inclui mostras de Damián Ortega, Santiago Yahuarcani, Claudia Alarcón & Silät, La Chola Poblete, Sandra Gamarra Heshiki, Colectivo Acciones de Arte, Sol Calero, Carolina Caycedo, Pablo Delano, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Jesús Soto e uma exposição coletiva internacional.
 

SOBRE A ARTISTA

Rosa Elena Curruchich (San Juan Comalapa, Guatemala, 1958–2005) foi uma pintora autodidata de origem maya kaqchikel. Neta do pintor Andrés Curruchich, que deu início à tradição de pintura de cavalete entre os kaqchikel de Comalapa nos anos 1930, realizou sua primeira exposição individual em 1979. É considerada a pioneira entre as mulheres pintoras dessa tradição dedicada a registrar o cotidiano e as cerimônias de seu povo. Sua obra integrou a 60ª Bienal de Veneza (2024).

 

ACESSIBILIDADE

Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, mediante solicitação pelo e-mail acessibilidade@masp.org.br, além de textos e legendas em fonte ampliada e conteúdos audiovisuais com audiodescrição, legendagem e interpretação em Libras. Todos os materiais estão disponíveis no site e canal do YouTube do museu e podem ser utilizados por pessoas com ou sem deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessadas em geral, em visitas espontâneas ou acompanhadas pela equipe MASP.

 

CATÁLOGO

Será publicado um catálogo bilíngue, em português e inglês, reunindo imagens e textos sobre a obra da artista. O livro tem organização editorial de Adriano Pedrosa, Guilherme Giufrida e Yudi Rafael, e conta com textos inéditos de Miguel A. Lopez, Pablo Ramírez, Rosa Chávez, Sofia Gotti e dos curadores Rafael e Giufrida.

 

LOJA MASP

Em diálogo com a exposição, a Loja MASP apresenta produtos especiais de Rosa Elena Curruchich: Crônicas de Comalapa, que incluem bolsas, postais e ímãs.

 

REALIZAÇÃO

Rosa Elena Curruchich: Crônicas de Comalapa é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e PROAC ICMS. O ano de Histórias Latino-americanas no MASP conta com patrocínio do Nubank.

 

SERVIÇO

Rosa Elena Curruchich: Crônicas de Comalapa

Curadoria: Guilherme Giufrida e Yudi Rafael, curadores assistentes, MASP.

 

30.10.2026 — 4.4.2027

Edifício Lina Bo Bardi, 1º e 2º subsolo

 

MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP 01310-200

Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h) com patrocínio Nubank; quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30 com patrocínio B3); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.

Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos 

Ingressos: R$ 85 (entrada); R$ 42 (meia-entrada)

Clientes Nubank Ultravioleta têm 50% de desconto no valor do ingresso inteiro e nos produtos selecionados da loja do MASP; clientes Nubank têm 25% de desconto.

 

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Créditos: Julia Maria Arruda Bastos  

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