Destinado a crianças de todas as idades, o podcast transforma temas complexos como guerras, deslocamentos, desigualdade e catástrofes ambientais em histórias delicadas e acessíveis.
Como falar sobre uma guerra com uma criança? Como explicar por que alguém precisa abandonar sua casa e seu país? Ou o que acontece com uma comunidade depois de uma grande catástrofe ambiental? Há assuntos que parecem pertencer exclusivamente ao complicado mundo dos adultos. Mas será que precisa ser assim?
Inspirado nas experiências reais dos artistas da organização Palhaços Sem Fronteiras Brasil (PSFB), o novo podcast da organização, que estreia nas principais plataformas digitais no dia 12 de outubro de 2026 (segunda-feira), parte justamente desse desafio: transformar relatos vividos em diferentes partes do mundo em histórias capazes de aproximar as crianças de questões complexas por meio da imaginação, do humor e da delicadeza.
Ao longo de dez episódios, os apresentadores-palhaços Donatella e João Pierre conduzem os pequenos ouvintes por histórias que atravessam lugares tão diferentes como Sudão do Sul, El Salvador, Nicarágua, Altamira, Mariana, Dourados e a Baixada Fluminense. A série combina contação de histórias, palhaçaria, efeitos sonoros e brincadeiras para tratar de conflitos, diferenças e encontros sem transformar o podcast em uma aula e, sobretudo, sem subestimar a capacidade das crianças de fazer perguntas e conclusões sobre o mundo em que vivem.
Guerra, deslocamento, desigualdade, violência, diversidade, convivência e cuidado com o outro aparecem a partir da experiência concreta de personagens e comunidades. Em vez de oferecer respostas prontas ou explicações fechadas, cada episódio parte de uma pergunta e convida crianças e adultos a pensar juntos. O que nos aproxima de alguém que parece tão diferente de nós? Existe outro caminho além da violência? Reconstruir uma comunidade significa apenas reconstruir suas casas? Pequenos gestos são mesmo capazes de produzir grandes mudanças?
O lançamento integra as comemorações dos dez anos dos Palhaços Sem Fronteiras Brasil, celebrados ao longo de 2026 com uma programação que segue até o fim do ano.
O projeto foi contemplado pela 10ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Circo para a Cidade de São Paulo. O apoio contribui para ampliar a circulação e o acesso às atividades circenses na cidade, além de possibilitar a presença de um artista com atuação internacional no intercâmbio promovido pelos PSFB.
O mundo cabe numa história?
O que uma criança refugiada no Sudão do Sul, um pescador atingido pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, uma comunidade indígena no Mato Grosso do Sul e um menino que vive em um bairro marcado pela presença de gangues em El Salvador têm em comum?
À primeira vista, muito pouco. Mas os encontros vividos pelos artistas do Palhaços Sem Fronteiras Brasil revelam algo que atravessa fronteiras, línguas e circunstâncias: mesmo em contextos de crise, crianças e adultos continuam encontrando maneiras de brincar, imaginar, rir e criar vínculos.
É desse encontro entre realidades muito diferentes que nasce a temporada. As experiências acumuladas em dez anos de atuação dos PSFB servem como ponto de partida para narrativas que procuram tornar acontecimentos distantes ou conceitos abstratos mais próximos da experiência infantil. Não se trata de esconder a complexidade do mundo, mas de encontrar uma linguagem pela qual seja possível começar a conversar sobre ela.
No fundo, os dez episódios orbitam uma mesma questão: o que acontece quando pessoas de mundos diferentes conseguem realmente se encontrar?
Histórias que começam com perguntas
Cada episódio se inicia com uma pergunta lançada pelos dois palhaços. É ela que abre a porta para a viagem: os apresentadores conduzem o ouvinte até o lugar em que a história aconteceu, mas o percurso está mais próximo de uma aventura do que de uma aula de geografia.
A partir daí, o relato ganha vida por meio de convidados, piadas, efeitos sonoros e intervenções dos apresentadores. Aos poucos, aquilo que parecia ser apenas uma aventura revela uma questão maior. Ao final, Donatella e João Pierre voltam à pergunta que abriu o episódio para respondê-la e devolvê-la ao ouvinte de outro jeito.
A estrutura traduz uma das propostas centrais do projeto: explicar conceitos sem encerrar a conversa. O podcast aposta na curiosidade infantil como ferramenta para compreender o mundo e faz das perguntas, inclusive daquelas que não têm respostas fáceis, parte da experiência.
“A gente não quis criar histórias que explicassem para as crianças o que elas devem pensar sobre esses assuntos. A ideia é oferecer elementos para que elas possam perguntar, imaginar e conversar. A criança talvez não conheça palavras como deslocamento, conflito ou crise humanitária, mas entende muito bem o que significa ter que deixar sua casa, sentir medo, encontrar alguém diferente ou precisar de ajuda. É por aí que as histórias começam”, afirma Aline Moreno, que interpreta Donatella e é fundadora e diretora executiva dos Palhaços Sem Fronteiras Brasil.
Sobre os Palhaços Sem Fronteiras Brasil
Desde 2016, os Palhaços Sem Fronteiras Brasil atuam com espetáculos, oficinas e ações de formação em territórios atravessados por crises humanitárias, climáticas e socioeconômicas e por situações de violência.
A organização foi a primeira operação da América Latina a integrar a Clowns Without Borders International, rede internacional de organizações que utiliza a palhaçaria e as artes circenses em contextos de vulnerabilidade e crise.
Um dos primeiros trabalhos realizados no país foi o Riso Doce, em parceria com a Cia. Cromossomos, que levou ações artísticas a comunidades ribeirinhas do Rio Doce atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), e por seus impactos no Espírito Santo. O projeto teve três edições, realizadas em 2016, 2017 e 2019.
Hoje, os Palhaços Sem Fronteiras Brasil contam com uma rede de cerca de 80 artistas profissionais e já realizaram projetos em dez estados brasileiros. As ações incluem apresentações, oficinas e formações destinadas também a profissionais que trabalham diretamente com comunidades em situação de vulnerabilidade.
Ficha Técnica
Elenco: Aline Moreno, Arthur Toyoshima
Roteiro: Clara Rellstab, Adriano Pequeno e Arthur Toyoshima
Gravação, Edição, Pós-produção e Finalização: Zamunda Estúdio
Ilustração: Marcelo Tolentino






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